Foi apresentado, divulgado e publicado no início desta semana mas, segundo o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, há ou houve versões diferentes. Fabian Figueiredo já questionou, por escrito, as ministra da Administração Interna e da Justiça sobre qual a razão que levou a que "uma secção inteira" fosse removida da versão do Relatório Anual de Segurança Interna (RSAI) enviado aos deputados e partilhado no site do Governo.

O capítulo a que o bloquista se refere é "Extremismos e Ameaças Híbridas" que, sustenta, "constava da primeira versão apresentada na segunda-feira" e que foi citada "por alguns jornalistas, nomeadamente da agência Lusa".

"Na referida secção, que constava das páginas 35 a 39, [e que] estava incluída na versão do RASI (...) apresentada na conferência de imprensa do Conselho Superior de Segurança Interna (31 de março de 2025), (...) podia ler-se uma descrição detalhada sobre o extremismo de extrema-direita".

A seção que não consta no documento final, revelava "a presença em Portugal de um 'chapter' de uma organização extremista internacional que, embora não esteja classificada na lista de organizações terroristas da União Europeia, já terá sido alvo de sanções financeiras noutros países devido ao incitamento e financiamento do terrorismo", conta Fabian Figueiredo.

Ainda segundo a versão preliminar do RASI, essa organização, cujo nome não era referido, "realiza eventos internacionais, como encontros musicais, que se tornam locais de radicalização, recrutamento e financiamento das suas atividades, incluindo a produção de propaganda".

Perante esta alegada omissão, o Bloco de Esquerda quer saber "o que motivou a supressão desta informação, quem é que tomou esta decisão, qual a razão, e insta o Governo a remeter a versão integral do relatório à Assembleia da República".

O alerta do RASI que foi removido

Ontem, a agência Lusa, citando o documento preliminar apresentado e aprovado na segunda-feira na reunião do Conselho Superior de Segurança Interna, revelava que apesar de não existir em Portugal uma organização de extrema-direita classificada como terrorista, existe um braço de uma organização extremista internacional que é classificada como terrorista noutros países.

Sem especificar qual a organização em questão, o RASI aponta(va) para a existência deste ramo de uma organização extremista em Portugal, que já foi alvo de sanções financeiras em vários países por financiamento de terrorismo.

Esta organização, acrescenta(va) o relatório que seguiu para o Parlamento - embora sem este capítulo, como denuncia o Bloco -, promove encontros através de eventos musicais, incluindo em território nacional, e que funcionam como método de recrutamento de militantes e como forma de financiamento para produção de material de propaganda, por exemplo.

Mais. Esta versão do RASI, citada pela Lusa, referia também que se verifica(va) com frequência a deslocalização de alguns dos seus membros.

No contexto das organizações extremistas, Portugal continua a ter os tradicionais movimentos ‘skinheads’, de supremacia branca e caráter neonazi, que não são, no entanto, tão apelativas para os jovens como os novos movimentos nacionalistas de extrema-direita que surgem através das redes sociais.

Estes novos movimentos que têm uma forte presença nas redes sociais surgem com líderes carismáticos, que o RASI descreve como verdadeiros ‘influencers’, e que têm como bandeiras as teorias da islamização da Europa e a alegada insegurança provocada pela imigração.