Cerca de 50 pessoas manifestaram-se hoje em frente à Assembleia Legislativa da Madeira, no Funchal, em solidariedade com a jovem menor violada por três 'influencers', em Loures, que não ficaram detidos.

Os manifestantes exigem que se faça justiça no caso do trio de 'influencers' que se filmou a violar uma menor de 16 anos, em Loures, e divulgou o vídeo nas redes sociais.

"Nós defendemos justiça. Não podem sair impunes os agressores destes caso", afirmou Ana Moniz, uma das promotoras da manifestação, que teve início às 15:00, considerando que é inadmissível que os três jovens tenham saído em liberdade.

"Estamos a silenciar as vítimas e a libertar os agressores", lamentou, em declarações aos jornalistas, em frente ao parlamento madeirense, onde cerca de 50 manifestantes se juntaram, com cartazes, gritando palavras de ordem.

Ana Moniz explicou que a convocação da manifestação resultou de um movimento apartidário, apesar de terem marcado presença alguns representantes de vários partidos, depois de o grupo ter tido conhecimento do protesto marcado em Lisboa.

"Nós estamos aqui em solidariedade não só por essa jovem, mas por todas as mulheres que são vítimas de violência sexual, violência machista", salientou.

"Infelizmente não é o primeiro [caso], não será o último, mas nós estamos aqui para lutar para que isto acabe ou que haja medidas para resolver o problema", acrescentou.

Os manifestantes envergavam cartazes como "o machismo mata, amor não é violência", "violação não se filma, condena-se", "não partilhem, denunciem", "violador bom é violador preso".

Após a leitura de um manifesto com recurso a um megafone, os presentes gritaram que "o lugar da mulher é onde ela quiser", "mulheres unidas jamais serão vencidas" e "nem mais uma".

Bernardo Margarido, um dos presentes no protesto, defendeu que a sociedade tem de "perceber que este crime, o crime da violação, é hediondo e deve ser condenado de todas as formas".

"Quando nós deixamos estas situações escapar, nós não estamos só a ostracizar uma vítima, nós estamos a dar azo a que isto aconteça mais vezes e que mais vítimas sejam expostas a estas situações", realçou o jovem.

Também Carolina Martins disse ter-se juntado à manifestação para que atos de violência deixem de ser banalizados, considerando que a sociedade está a falhar e "algo tem de ser feito para contrariar essa tendência".

"O que me choca mais é que, em 32 mil visualizações, ninguém foi capaz de fazer uma denúncia. E mais, ouvi relatos de miúdas adolescentes de que a miúda só denunciou porque queria mais. O que é isto?", questionou.

Os três suspeitos, entre os 17 e 19 anos, foram detidos pela Polícia Judiciária, mas libertados pelo tribunal, tendo ficado sujeitos a apresentações periódicas e proibição de contactos com a vítima.

A vítima quis conhecer os seus ídolos do TikTok, mas o encontro acabou numa arrecadação de um prédio com uma alegada violação filmada e divulgada nas redes sociais.

Os protestos de hoje realizam-se em Lisboa em frente à Assembleia da República e no Funchal junto à Assembleia Legislativa da Madeira.