
Lina Pereira, presidente do Juntos Pelo Povo (JPP), já reagiu à apresentação do XVII Governo Regional liderado por Miguel Albuquerque com duras críticas à composição e estrutura do novo executivo. A responsável aponta o que considera ser a repetição de práticas habituais do PSD, acusando Albuquerque de “engordar” a máquina governativa e “premiar” figuras envolvidas em polémicas.
Embora tenha começado por reconhecer que Miguel Albuquerque “está agora a organizar o seu governo e a iniciar o seu trabalho”, sublinhando que será necessário tempo para avaliar a ação governativa, a dirigente alertou para sinais preocupantes. “Numa primeira análise, constata-se a manutenção de práticas tradicionais do PSD, nomeadamente o aumento da máquina governativa com a criação de uma nova secretaria, o que implica inevitavelmente mais nomeações e mais despesas”, afirmou.
A crítica ao “engordar” do executivo é acompanhada de uma acusação clara de “premiação” de responsáveis que, segundo o JPP, não prestaram contas de forma transparente. Lina Pereira apontou directamente a nomeação de Micaela Freitas para liderar a nova Secretaria Regional da Saúde e Protecção Civil como exemplo dessa prática. A dirigente recordou que, enquanto presidente do Instituto de Segurança Social da Madeira, Micaela Freitas deixou por esclarecer várias situações graves apontadas pelo Tribunal de Contas, como a falta de veracidade e fiabilidade nas contas da Segurança Social, bem como a opacidade na transferência de verbas para instituições particulares de solidariedade social.
Entre os episódios que levanta, destaca-se ainda a alegada falta de transparência em processos relacionados com imóveis e protocolos, com particular incidência no caso do Lar Bela Vista, “onde uma função pública foi canalizada para o setor privado sem os devidos esclarecimentos”.
“É esta mesma responsável que agora assume um dos sectores mais críticos e fragilizados da governação regional: a Saúde, que se encontra à beira do colapso”, frisou, questionando a capacidade do novo executivo em dar resposta aos desafios estruturais da Região, num sector que considera estar sob enorme pressão e desorganização.
Apesar das críticas, Lina Pereira assegurou que o JPP adoptará uma postura responsável enquanto principal força da oposição. “Aguardaremos para ver como o Governo se organiza e começa a trabalhar, mas assumiremos o nosso papel com vigilância, acompanhamento e exposição da ação governativa”, garantiu, reiterando o compromisso do partido em zelar pelo cumprimento das promessas feitas à população madeirense.