Fernando Medina não integra as listas do Partido Socialista para as eleições legislativas do próximo mês porque está "há 20 anos ininterruptamente em cargos políticos de primeira linha". "Era o momento, do ponto de vista pessoal, de não prosseguir", acrescenta.

O ex-ministro das Finanças, que não quis garantir que irá regressar à vida política ativa, entende que o facto de não integrar as listas "não penaliza em nada o PS".

“Tive a oportunidade de sublinhar que desejo a vitória do Partido Socialista, trabalharei na campanha pelo Partido Socialista. Não sou candidato a ser deputado, isso deve ser encarado com toda a naturalidade de uma decisão pessoal, que não é, como sublinho, não é nenhuma decisão baseada num afastamento do Partido Socialista porque também se o fosse, eu também o diria com clareza”, assegura.

Fernando Medina garante que a responsabilidade de o país ir a eleições “é, naturalmente, do Governo” e revela não perceber a “necessidade de apresentação de uma moção de confiança que já se sabia antecipadamente que iria ser rejeitada.”

“As eleições não resolvem o problema dos esclarecimentos e acrescentam dificuldades ao país”, afirma.

Se Montenegro for eleito primeiro-ministro, “não é por isso que os esclarecimentos relativamente a este caso vão desaparecer”, defende.

"Governo não devia ter apresentado a moção de confiança”

O antigo presidente da Câmara de Lisboa entende que a moção de confiança, que oficializou a queda do Governo, apresentada pelo Executivo “pareceu algo extemporâneo”. “Acho que o Governo não devia ter apresentado a moção de confiança”, assume.

Recusando comentar se o PS deveria viabilizar um Governo minoritário, Medina aponta que haverá “muito tempo” para fazer esse debate:

“Eu confesso, neste momento, que tenho um nível de incerteza sobre a forma como os portugueses vão reagir a esta crise política e a estas eleições que estão marcadas para pouco mais de um mês, é uma incógnita.”

O ex-ministro entende que poderão existir surpresas mediante os níveis de abstenção e recorda o que se verificou nas legislativas do ano passado: “Tinha antecipado que a abstenção iria ser muito mais alta e o que nós tivemos foi uma abstenção muito mais baixa.”

O ainda deputado recusa tecer comentários sobre o futuro do PS, pelo que não revelou que candidato apoiaria para a liderança do partido.

Alexandra Leitão "tem forças muito significativas"

Na ótica do socialista, Alexandra Leitão é a melhor hipótese do Partido Socialista para a Câmara de Lisboa e mostra-se disponível “para tudo aquilo que possa necessitar nesta sua caminhada”:

“É uma candidata que tem forças muito significativas, uma candidata que gosta de fazer, gosta de resolver problemas, gosta de resolver problemas concretos. É, no fundo, um oposto de uma certa inação, de um certo passar culpas para um lado e para o outro.”

Este ano, muitos contribuintes vão ter um reembolso menor ou podem mesmo passar a pagar IRS.

Sobre esta matéria, Medina explica que o Governo de Luís Montenegro “diminuiu muito os impostos, mas exagerou na redução das tabelas de retenção”:

“Se, quando se ultrapassa o ajuste técnico da redução das tabelas da retenção ao exato valor do qual se diminui os impostos, vai dar sempre um problema que as pessoas pagam mais no fim. Isto é, ou recebem menos ou até pessoas que não pagavam vão ter de pagar.”