
O senador democrata norte-americano Cory Booker bateu esta terça-feira o recorde do discurso mais longo no Senado, com uma intervenção de 25 horas e 5 minutos contra a agenda do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Até agora, o recorde do discurso mais longo no Senado pertencia a Strom Thurmond, da Carolina do Sul, com uma intervenção de 24 horas e 18 minutos contra a Lei dos Direitos Civis de 1957.
Booker, um de cinco senadores afro-americanos (em 100), fez questão de dizer que não abdicaria da palavra e, para cumprir as regras do Senado, manteve-se continuamente de pé, sem nada além de alguns copos de água para suportar a maratona discursiva.
"Os nossos eleitores estão a pedir-nos para reconhecer que isto é uma crise. Por isso, vou ficar aqui até não poder mais", disse Booker.
À medida que o seu discurso foi avançando, Booker foi recebendo ajuda de colegas democratas, que lhe concederam uma pausa pedindo para fazer uma pergunta ou um comentário de elogio à sua prestação.
"O que fez aqui hoje, Senador Booker, não podia ser mais diferente do que ocorreu neste plenário em 1957", disse Chris Murphy, referindo-se à tentativa mal sucedida de Thurmond de bloquear uma parte inicial da lei dos direitos civis dos EUA.
Andando de um lado para o outro e por vezes poiando-se no púlpito, Booker abordou desde segunda-feira na sala de plenário da câmara alta do Congresso norte-americano alguns dos aspetos mais polémicos da administração Trump, como os cortes na administração pública liderados pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) do conselheiro presidencial Elon Musk, segundo a AP.
Já visivelmente cansado, de acordo com a mesma fonte, enumerava na tarde de terça-feira os impactos das primeiras ordens de Trump, destacando preocupações de que possam estar para vir cortes nas prestações da Segurança Social, embora os legisladores republicanos digam que o programa não será afetado.
Mesmo depois de bater o recorde de Strom Thurmond, Booker continuou o discurso.
Democrata de Nova Jersey de 55 anos, Booker cumpre o segundo mandato no Senado dos EUA. Em 2020, foi candidato à presidência, mas abandonou a corrida depois de não ter conseguido um lugar destacado em debates e nas sondagens.
Antes de chegar ao Senado, Booker foi entre 2006 e 2013 presidente do município de Newark, cidade onde nasceu e que alberga uma das maiores comunidades luso-americanas. Nesse ano, foi eleito para o Senado, tendo sido reeleito em 2020.
No Senado, Booker alertou para a gravidade dos tempos que os Estados Unidos atravessam: "Estes não são tempos normais na nossa nação".
"E não devem ser tratados como tal no Senado dos Estados Unidos. As ameaças à democracia e ao povo americano são urgentes, e todos devemos fazer mais para nos posicionarmos contra elas", apontou.