
No chamado "Dia da Libertação" e sob o lema "tornar a América rica novamente", Donald Trump anunciou, a partir da meia-noite desta quarta-feira, a aplicação de uma taxa de 25 por cento sobre todos os automóveis estrangeiros que entrarem no país.
À União Europeia, o Presidente norte-americano disse que os EUA passarão a aplicar uma taxa de 20 por cento. “Pensa-se na União Europeia como amigável, mas são negociadores muito duros e estão a roubar-nos. É patético", disse.
Num anúncio às 21h feito no Jardim das Rosas da Casa Branca, o Presidente norte-americano disse que o seu país "foi roubado por 15 anos, mas tal não voltará a acontecer". "O que nos fizeram, faremos de volta", ameaçou, prometendo que "a era dourada irá voltar à América" e que os EUA "não podem pagar o défice do Canadá, do México e de outras tantas nações".
Naquilo que qualificou de "declaração de independência económica" - "outras nações ficaram ricas às nossas custas" - Donald Trump disse que a América tem tomado conta "de países um pouco por todo o mundo", mas que agora "tem de cuidar" do seu próprio povo. "Temos de colocar a América em primeiro”, declarou.
China entre os países com tarifas mais pesadas
O líder norte-americano divulgou que outros países sofrerão tarifas ainda mais severas. É o caso da China, que segundo o Presidente está a aplicar aos EUA tarifas de 67 por cento, mas a quem os EUA aplicará uma tarifa de 34 por cento.
A Índia e o Japão sofrerão taxas de 26 e 24 por cento respetivamente, enquanto a outros países asiáticos reserva tarifas ainda superiores, como são os casos do Vietname e do Camboja, com 46 e 49 por cento.
O valor mínimo a ser cobrado será de 10 por cento, situação aplicada, por exemplo, ao Reino Unido.
Trump considera as tarifas anunciadas um dos maiores feitos de sempre da política externa dos EUA face às previsões económicas "erradas" dos últimos 30 anos. "Isto é o que já fizemos e só passaram dois meses e meio”, declarou, prometendo que os EUA vão ser "um país totalmente diferente num curto prazo de tempo".
Os direitos aduaneiros específicos de cada país ou bloco económico, como a UE, começarão a ser aplicados a partir de 9 de abril, afirmaram à imprensa funcionários da Casa Branca.
A tarifa-base de 10 % começará a ser aplicada mais cedo, no sábado, 5 de abril, segundo estas fontes citadas pela EFE.
Antes de assinar a ordem executiva instituindo as reciprocidade de tarifas, Trump apresentou a medida como uma defesa da produção industrial norte-americana, tendo na audiência vários operários equipados, alguns de capacete.
A imposição de tarifas foi apresentada após Donald Trump ter anunciado nos últimos meses aumentos de 25% dos direitos aduaneiros sobre as importações de aço, alumínio, automóveis e peças de automóveis.
O Presidente norte-americano apresentou a medida sobretudo como um indutor de investimento estrangeiro em fábricas nos Estados Unidos e de crescimento económico, perdido para outros países nas últimas décadas.
"Estas tarifas vão dar-nos crescimento como vocês nunca viram", prometeu, visivelmente bem disposto.
"Hoje é um dos dias mais importantes da história americana", frisou.
Trump utilizou uma retórica agressiva para descrever o sistema de comércio global que os Estados Unidos ajudaram a construir após a Segunda Guerra Mundial, afirmando que o seu país "foi saqueado, pilhado, violado, pilhado" por outras nações.
A 4 de março, Trump impôs tarifas de 25% sobre as importações do Canadá e do México, mas estabeleceu uma moratória de um mês sobre os produtos provenientes destes dois países abrangidos pelo acordo de comércio livre entre estes países.