A revista The Atlantic revela, esta quarta-feira, mensagens partilhadas num 'chat' entre responsáveis da administração Trump sobre ataques aos huthis do Iémen, a que um jornalista teve acesso, mas a Casa Branca reiterou que não eram planos de guerra.

Jeffrey Goldberg, chefe de redação da The Atlantic, noticiou que a porta-voz da Casa Branca (presidência norte-americana), Karolone Leavitt, lhe confirmou que as informações partilhadas na rede de mensagens Signal, a que acedeu depois de ter sido adicionado por engano a um grupo de conversação, não eram confidenciais.

A mesma porta-voz indicou porém ao jornalista que a Casa Branca não gostaria de as ver divulgadas publicamente.

No entanto, e numa altura em que os democratas pedem insistentemente uma investigação formal sobre a partilha de informação confidencial num chat e com um membro adicionado por engano (o jornalista Jeffrey Goldberg), a The Atlantic decidiu publicar a quase totalidade da conversa entre os principais responsáveis pela segurança nacional da administração Trump, incluindo o secretário da Defesa, Pete Hegseth.

A revista publicou mensagens exatas a identificar o momento do ataque aos alvos huthis no Iémen, a 15 de março, antes de este acontecer.

"O momento é favorável. Acabei de confirmar com o Centcom [o comando central] que estamos a avançar com o lançamento da missão", explicou Hegseth aos 19 membros do grupo de conversação, que incluía o secretário de Estado, Marco Rubio, e o diretor da CIA (serviços secretos), John Ratcliffe.

Na mesma conversação, e com os tempos exatos de cada alvo, Hegseth indicou "F-18 lançados" e "janela de ataque dos F-18 começa" ou "ataque com 'drones' lançado", algo que Goldberg acredita que poderia ter comprometido a missão caso a informação fosse parar às mãos de membros dos rebeldes xiitas iemenitas huthis ou de alguém com objetivos maliciosos.

A dada altura, Hegseth referiu que às "14:15" "os 'drones' estão sobre o alvo" e, em maiúsculas, adiantou que "este é o momento em que as primeiras bombas cairão, sem dúvida".

Informação confidencial sobre "planos de guerra"

Na terça-feira, a diretora da Direção Nacional de Informações (DNI), Tulsi Gabbard, e o diretor da CIA declararam, numa audição no Senado (câmara alta do Congresso), que não consideravam as informações partilhadas no 'chat' como confidenciais, algo também defendido por Hegseth, que negou partilhar "planos de guerra".

A porta-voz da Casa Branca reagiu ao novo artigo de Goldberg hoje de manhã, dizendo, na rede social X, que "a The Atlantic reconheceu: Estes não eram planos de guerra. Esta história é mais uma farsa escrita por uma pessoa que odeia Trump e que é conhecido pelas suas versões [de notícias] sensacionalistas".

Mike Waltz, conselheiro de segurança nacional do Presidente dos Estado Unidos Donald Trump, que criou o grupo na rede social Signal para discussão de planos militares e que incluiu um jornalista, assumiu na terça-feira a responsabilidade.

"Assumo total responsabilidade. Eu criei este grupo", admitiu à estação Fox News, na sua primeira entrevista desde as revelações. Waltz sugeriu que pode ter guardado o número do jornalista no seu telefone, pensando que pertencia a outra pessoa.