A sete jornadas do fim da Primeira Liga, os clubes em situação mais delicada começam a sacar das calculadoras e a tentar perceber onde poderão ir buscar os pontos que lhes têm escapado. Para o Boavista, este desconforto já não é novidade nenhuma. Depois de se salvar nos últimos segundos da época passada, volta a estar “com a corda ao pescoço” e precisa de operar um pequeno milagre.

Com apenas três pontos somados desde o Natal (na receção ao Santa Clara) e 15 no total do campeonato, a turma do Bessa está a oito pontos do lugar seguro do Estrela da Amadora, bem como do lugar de play-off do AVS SAD.

Lito Vidigal assumiu o comando técnico da equipa da invicta em fevereiro, numa missão que se sabia ser muito complicada. A direção do emblema das panteras apostou num técnico que já conhecia a casa e que inclusivamente tinha feito uma passagem bem conseguida pelo Bessa.

O treinador angolano falou em “ganhar cinco jogos” para a equipa se intrometer na luta pela permanência. Estas declarações foram feitas precisamente antes da vitória diante do Santa Clara que despertou o otimismo dos adeptos boavisteiros.

Depois disso, três derrotas consecutivas atribuíram a esse objetivo um nível de dificuldade quase hercúleo. Poucas equipas escaparam à despromoção com 15 pontos (ou menos) à 27.ª jornada do campeonato. O Tondela conseguiu essa proeza em 2015/16, quando nos últimos sete encontros somou 16 pontos, acabando com 30 na antepenúltima posição da tabela.

Depois do levantamento da proibição de inscrever jogadores, o Boavista aproveitou o mercado de inverno para se reforçar, em grande parte com jogadores experientes e conhecidos de outras andanças. Destaque para o médio neerlandês Marco van Ginkel, que veio adicionar classe ao meio-campo, e para o guardião checo Tomas Vaclik, que tem dado segurança a uma posição fustigada por lesões.

O estilo de jogo mais direto implementado por Vidigal esbarra na falta de um ponta de lança com maior capacidade de segurar a bola. A equipa entrega frequentemente a posse de bola ao adversário e tem dificuldade em aproveitar as oportunidades de contra-ataque. O “chutão para a frente” não está a resultar e os médios deveriam funcionar como elemento de ligação, já que existem elementos com qualidade para desempenhar esse papel. As substituições efetuadas nos últimos encontros são no mínimo discutíveis, com uma tendência preocupante para fazer “desaparecer” o meio-campo.

O que resta do calendário também não augura nada de bom. Dos encontros por disputar, apenas três são em casa e dois deles são contra Sporting e FC Porto. Pelo lado otimista, o Boavista amealhou até agora mais pontos fora de casa do que no Bessa.

No último encontro, um Gil Vicente também aflito conseguiu dominar o jogo e aproveitar os momentos de desconcentração dos homens da casa para sentenciar a partida. Após o segundo golo gilista, notou-se a falta de crença em todo o estádio e nos próprios jogadores. Faltam sete jogos decisivos, em que a capacidade lutadora vai ser determinante para o destino das panteras. O próximo é já na segunda-feira, em Paços de Ferreira, frente ao Rio Ave.