Foi através de suprimentos e conversão de créditos em capital que, em 2024 e já em janeiro de 2025, a TAP fez chegar 5,5 milhões euros à Menzies Aviation Portugal, que fechou o ano passado com um prejuízo de 19,3 milhões de euros.

A notícia foi avançada pelo jornal económico Eco, que já tinha noticiado que a TAP tinha feito adiantado em janeiro o pagamento de uma fatura superior a um milhão de euros, devido a problemas de tesouraria.

A 18 de fevereiro, o Expresso tinha confrontado a Menzies com informação, a que tinha tido acesso, segundo a qual, as contas da operação portuguesa tinham piorado nos últimos meses, e que perante a situação de dificuldade da empresa de handling, a TAP tinha-se visto obrigada a antecipar pagamentos em janeiro, e estava inclusive a planear um aumento de capital.

Em resposta, fonte oficial da casa mãe, afirmava então que a Menzies Aviation não iria comentar, esclarecendo que "não fornecia resultados financeiros de operações regionais, apenas números globais anuais" e que os publicaria em março. Dizia ainda que estava a cumprir os pagamentos previstos no plano de insolvência. Na altura, sobre o assunto, a TAP admitia apenas que o plano de reestruturação estava atrasado por questões relativas às negociações das saídas já previstas.

Citando os resultados da TAP SA de 2024, o Eco revela que a SPdH – designação societária da empresa de serviços de assistência em escala – fechou o ano passado com um prejuízo de 19,13 milhões de euros. Dificuldades de tesouraria e capitais próprios negativos de 44 milhões de euros obrigaram a companhia aérea (acionista com 49,1%) a avançar com dois suprimentos, um de três milhões em 2024 e outro de 2,5 milhões em janeiro deste ano.

Agravamento de prejuízos porquê?

Não há ainda justificação para o agravamento dos resultados da Menzies Aviation Portugal, ex-Groundforce, agora detida por uma das maiores empresas de logística aeroportuária do mundo, a Menzies. Mas o agravamento dos prejuízos está a causar surpresa no meio, uma vez que a Menzies é a principal fornecedora de serviços de logística aeroportuária dos aeroportos portugueses, que estão a bater recordes de transportes de passageiros - a TAP transportou 16 milhões em 2024.

Internamente, há fontes a admitir, que uma gestão inadequada dos horários dos trabalhadores, tema central numa empresa de logística - situação entretanto revista -, terá contribuído para o agravamento dos prejuízos.

Depois um resultado negativo de 24 milhões em 2020, a SPdH reduziu o prejuízo para 7,7 milhões em 2021 e um milhão em 2022. Os dados de 2023 não são conhecidos, mas o plano de insolvência projetava um resultado negativo de 2,3 milhões, e melhoria nos anos seguintes.

Foi o impacto negativo nos capitais próprios que levou à necessidade de os acionistas de realizarem suprimentos. Além de ser acionista, a TAP é também a principal cliente da empresa de SPdH, com cerca de 70% da receita.

A realidade é que o plano de reestruturação da SPdH, detida em 50,1% pela Menzies, está a marcar passo. E, embora estivesse previsto no plano de recuperação que a transportadora liderada por Luís Rodrigues poderia avançar com suprimentos de até 9,6 milhões de euros, é de certa forma inesperada esta necessidade de ajuda da Menzies Portugal, tendo em conta o bom momento que o setor da aviação tem vivido, e a perspetiva de que a empresa saíria do vermelho com a chegada do gigante mundial.

A necessidade de avançar com suprimentos e antecipar pagamentos à SPdH, que operava antigamente com a marca Groundforce, traz à memória um momento mais conturbado da empresa, quando durante a pandemia e ainda com a Pasogal de Alfredo Casimiro como acionista, a transportadora teve de injetar capital para garantir a sobrevivência. Situação que a acabou por levar ao pedido de insolvência.

A Menzies e TAP têm dito que o "enorme atraso" que o plano de reestruturação está a sofrer, é em parte devido à morosidade que a empresa está a enfrentar na saída prevista de 300 trabalhadores, situação que está a criar algum stresse interno e a levar a um aumento dos custos. Até ao momento saíram 160 pessoas, cerca de metade do previsto, que eram 300 trabalhadores. E ainda está a ser negociada a saída dos restantes trabalhadores previstos no pacote negociado com a Menzies, e articulado com os sindicatos, que se mostravam favoráveis a escolha desta companhia para ficar com a posição que outrora tinha pertencido a Alfredo Casimiro.