O filme, segundo a produtora Voz Futura, será depois exibido em diferentes salas do país, passando por Sintra, Porto, Setúbal, Leiria, Évora, Tomar e Vila Real, sempre com a presença de Benvindo Fonseca, no âmbito da celebração do Dia Internacional da Dança, em 29 de abril, e o objetivo de contar a sua história, da ascensão à superação, "através da arte", após o acidente de trabalho que o afastou dos palcos, no auge da carreira.

'Benvindo... a vida' tem realização de Pedro Pirim e produção de Felipe Cantieri, da Voz Futura, produtora e "plataforma de impacto social" criada pelo futebolista Danilo, atual defesa do Flamengo e da seleção brasileira, que jogou no FC Porto, no Real Madrid e na Juventus.

Benvindo Fonseca nasceu em Moçambique, em 1964, filho de pais cabo-verdianos, com ascendência indiana e portuguesa. Desde cedo praticou basquete, patinagem, mas tudo mudou quando descobriu a dança já depois de se fixar em Portugal com a família, após a queda da ditadura. Primeiro, houve a série 'Fama', na televisão, que o fascinou, depois o Grupo Dança Jazz, então dirigido por Rui Horta, com quem viria a trabalhar mais tarde na Companhia de Dança de Lisboa.

A formação em dança decorreu em paralelo com o trabalho nas primeiras estruturas, num percurso profissional iniciado em 1984.

Benvindo Fonseca iniciou os estudos com Ana Macara, prosseguindo-os no Conservatório Nacional e nos Cursos da Fundação Calouste Gulbenkian, com Carlos Caldas e Ulrike Caldas. Seguiram-se estágios em Londres e Nova Iorque, e o trabalho com mestres como Ruth Silk, Maggi Black, Betsy Hog e William Burnman.

As audições nos Estados Unidos abriram-lhe as portas da companhia de Alvin Ailey, mas Benvindo Fonseca cedeu ao convite do então diretor artístico do Ballet Gulbenkian, Jorge Salavisa, que lhe ofereceu o lugar de solista.

Numa entrevista à revista Gerador, em 2020, o bailarino e coreógrafo justificou a preferência: "Tinha os melhores coreógrafos do mundo, ainda por cima a coreografarem para mim, a fazer os papéis principais [...], a ir a todo o lado com salas cheias. Estava em casa, ao pé dos meus pais, e fui ficando - e com bailarinos que eu admirava", como a primeira bailarina Graça Barroso, "um grande trunfo". "Às vezes, nem acreditava que estava ali. Beliscava-me".

Ao longo dos anos, trabalhou com coreógrafos como Mats Ek, Hans van Manem, Christopher Bruce, Jiri Kylian, Nacho Duato, Paul Taylor, Vasco Wellenkamp, Olga Roriz. Depois, o acidente de trabalho - uma fratura da tíbia - que o afastou de cena, e o processo de recuperação, que passou pela reformulação da carreira. Mas sempre na dança.

Benvindo Fonseca afirmou-se então como coreógrafo. Assinou figurinos e coreografias para o Ballet Gulbenkian, cofundou e foi diretor artístico do Ballet Contemporâneo de Lisboa. Criou para o Teatro Nacional D. Maria II, Teatro O Bando, Teatro Experimental do Porto, Companhia de Bailado Contemporâneo, companhias de dança de Almada e Évora.

No seu currículo encontram-se ainda criações para a Compañía Úrsula López, de Espanha, o Stadttheater Hildesheim e a Ópera de Berlim, na Alemanha, entre outras estruturas de Argentina, Brasil, Cuba, Estados Unidos, Itália, Grécia, México, Polónia, República Dominicana.

Entre as suas obras destacam-se o solo 'Dança Árabe', sobre Tchaikovsky, estreada com Maria João Pires em piano, e o 'pas de deux' "Povo que Lavas no Rio", cantado por Amália. Houve ainda 'Makeba', 'Para que a Terra não Esqueça', 'Castañeda', sobre música cigana, 'Uma Noite com Ella', a partir do repertório de Ella Fitzgerald, 'Cromeleque', sobre o Requiem de Mozart, e "Mosaico", com música de Pedro Jóia, inspirada nas origens do Fado.

O futebolista Danilo Luiz da Silva, citado pelo comunicado de apresentação do filme, afirma que "'Benvindo... a vida' é um projeto muito especial" para a equipa da Voz Futura, parte dela radicada em Portugal, onde quer aumentar a produção.

Depois de Almada, 'Benvindo... a vida' será exibido no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra, no próximo sábado, no Museu Soares dos Reis, no Porto, no dia 11, no Cinema Charlot, em Setúbal, no dia 27, e no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, no dia 28.

Em maio, estará no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, no Cineclube de Tomar, no Estúdio Municipal de Dança de Peniche e na Fundação Casa de Mateus, em Vila Real.

A plataforma Voz Futura realizou já, em Portugal, documentários sobre artistas como Cynthia Neimi, Marcelo Lamarca e Sarah Kilgallon, radicados no país, e também sobre Cláudia Sampaio e o coletivo Manicómio.

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