Provavelmente já ouviu falar em casos de crianças trocadas à nascença, na maternidade. Neste caso, estas mães - que vivem no Peru - levaram seis anos a descobrir a verdade e tudo por causa de um processo legal por causa da pensão de alimentos. A história foi tornada pública recentemente.

Tudo começou há dois anos quando Ruth Cieza se separou do pai do seu filho e, para obter o subsídio de parentalidade, submeteu-se a um teste de ADN, assim como o ex-companheiro. Numa entrevista à The Associated Press (AP), a mulher revelou a descoberta chocante: nenhum dos dois eram pais da criança.

Após terem feito novos testes, cujo resultado foi o mesmo, um procurador ordenou testes de ADN a outras três mulheres que tinham dado à luz no mesmo dia, no mesmo hospital, em dezembro de 2018. “Foi assim que descobri quem tinha o meu filho”, contou Ruth. A outra mãe chama-se María Chilcón e deu à luz com uma diferença de minutos.

Toda a dor que estamos a passar é por causa do hospital e das enfermeiras. Eu disse a uma enfermeira: ‘Ele não é meu filho, não é meu filho.’ E ela disse-me: ‘Senhora, você está louca’. Nunca me vou esquecer do que aquela enfermeira me disse, recordou María. Já me habituei a ele, e agora não é fácil para ele ir embora.”



As mães decidiram entregar as crianças e regressar a casa com os seus filhos biológicos, que têm atualmente seis anos. No entanto, não tem sido fácil. "Estou a adaptar-me ao meu filho, que nasceu de mim, mas ao mesmo tempo tenho saudades do outro menino. Não consigo tirá-lo da minha cabeça", afirma Ruth Cieza, referindo também que o filho que criou "não está habituado à vida no campo". É que uma das famílias vive na cidade e a outra na zona rural, a 67 quilómetros de distância.

Foi apresentada uma ação judicial contra o hospital. O juiz encarregue do caso, Andy Herrera, ordenou que as certidões de nascimento fossem anuladas e que novas fossem registadas com os nomes corretos dos pais das crianças que foram trocadas "por negligência" pelo hospital, de acordo com uma cópia da decisão obtida pela AP. Será também oferecida ajuda psicológica às mães e às crianças.