No artigo, dividido por áreas e semelhante a um programa eleitoral, defende que os partidos devem ser "claros e objetivos" nas suas propostas, "sem demagogias ou evitando discutir problemas difíceis".

"Só com informação adequada os portugueses poderão tomar decisões conscientes", escreve Gouveia e Melo.

No texto, o almirante na reserva traça um plano de ação no contexto da incerteza internacional, destacando a necessidade de "solidificar e expandir a base económica de retaguarda", mantendo e reforçando as relações económicas com os outros 26 países da União Europeia, explorando parcerias e sinergias "em setores estratégicos".

Aponta a necessidade de diversificar mercados para "reduzir o risco nas importações e exportações" e diz que explorar as "vantagens geográficas do país" facilitará "o desenvolvimento de um 'hub' logístico, por via do transporte marítimo, aéreo e ferroviário.

Diz que Portugal terá todas as vantagens de se posicionar como operador global, ficando-se também em mercados emergentes e de forte crescimento como África, América Latina, Ásia e Médio Oriente.

Defende uma maior aposta no mar e na defesa, considerando que "está quase tudo por fazer" na economia do mar, "num país que é essencialmente marítimo e que parece não ter entendido a relevância da sua posição e as lições da sua história".

Gouveia e Melo entende que é preciso otimizar "o que Portugal já faz bem", defendendo a necessidade de continuar a modernizar setores tradicionais "através da inovação, tecnologia e design". "Impulsionando a internacionalização ajudará a otimizar a economia portuguesa", escreve.

Pede uma aposta num quadro legislativo estável, na redução de burocracia e na agilização da justiça.

Na área da economia, aponta que "as empresas não devem ser obrigadas a entrar no jogo das influências e proximidade do aparelho de Estado para sobreviver" e pede um "ecossistema institucional fiável, justo, estável, e livre dos pequenos poderes".

Uma economia baseada em microempresas será menos competitiva internacionalmente e defende uma economia "centrada nas pessoas".

Na educação e formação, defende que se deve fomentar uma cultura de exigência, apostar nas competências digitais e tecnológicas e avisa que "um ensino que não seja alinhado com as necessidades atuais poderá ser limitativo no seu potencial".

Na área da imigração, defende uma politica de imigração alinhada com as necessidades do pais para resolver o 'inverno demográfico' e escreve: " Outras culturas que nos enriquecem deverão ser bem vindas, mas a tolerância não pode permitir intolerância".

Considera que se deve regular a imigração "consoante a capacidade de acolhimento, alinhada com o interesse nacional".

No artigo, o almirante na reserva -- que ainda não decidiu sobre a sua eventual candidatura à Presidência da República - defende ainda que as migrações não devem ser encaradas como problema e muito menos reduzidas as questões de segurança.

Na habitação, aponta igualmente a necessidade de apostar no investimento de novas habitações numa produção industrializada e modular, aumentando a disponibilidade e reduzindo custos, aliado a uma simplificação burocrática e reordenamento territorial.

Gouveia e Melo sublinha que o sucesso da economia "depende de uma classe média economicamente forte, numérica e socialmente relevante" e pede um modelo económico centrado nas pessoas, "promovendo a justiça social, a sustentabilidade ambiental e o bem estar coletivo".

Defende que se deve garantir oportunidade de empregos dignos, com condições de trabalho seguras e remunerações justas, e, na educação, um investimento na na formação especializada e na requalificação contínua, "preparando a população para os desafios de um mercado de trabalho em constante transformação".

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